Tanto tempo sem escrever, tanto para contar.
Se tivesse um diário, hoje seria o dia ideal para o usar. Aconteceram tantas coisas. Tantas. Apetece-me falar de tudo, mas sei que não irei dizer uma ínfima parte.
O dia iniciou-se com mais uma aula, incorporada no mestrado em que estou inscrita.
De dia para dia sinto mais que aquele é o meu lugar.
De seguida tive a oportunidade de conhecer uma pessoa merecedora de toda a minha atenção. Vamos ver como as coisas correm no futuro.
Mas não saio da faculdade sem ter a notícia do ano. Ela é minha outra vez. Só consigo dar saltos de excitação. Não fazem ideia do quanto batalhei por ela.
Acabo o dia a ter A AULA, a qual, durante demasiado tempo, temi. E qual não é o meu espanto quando me questiono se esta não se tornará uma das minhas grandes paixões. A condução.
Isto tudo para demonstrar como dias frios e cinzentos se podem tornar alegres e promissores. Passei por alguma turbulência ultimamente, mas as coisas, mais cedo ou mais tarde, tendem a melhorar.
Amanhã irei tirar o dia para passar comigo mesma. Um dia de aniversário antecipado para me mimar até ao tutano. Sei que só deveria comemorar a 23, mas há 21 anos JÁ EXISTIA (e estava pronta a sair).
Deixo-vos com uma deliciosa passagem de H. Murakami, a qual vem mesmo a calhar e pela qual me perdi de amores, mal lhe deitei a vista em cima. (dedicada a uma menina que está de cama e que merece todos os resguardos possíveis no confronto da tempestade pela qual está a passar).
PS: (In)felizmente não tenho um "corvo" com a mão sobre o meu ombro para me aconselhar. Mas tenho a meu ombro uma Rinko, e a meu peito um Ryu. Que melhor companhia poderia desejar?
“Oh snap”
No sábado fui ver o filme “Shutter Island”. Sem qualquer expectativa sobre o filme ou as personagens, deixei-me maravilhar pelo sentido obscuro do enredo. Desde já tenho a dizer que adorei o filme, mesmo sendo suspeita pois o filme é praticamente todo baseado numa das minhas grandes paixões, a psicopatologia em criminosos violentos.
O filme em si é genial, tanto na escolha das personagens como no desenrolar da história. Genialmente genial foi a citação de uma das personagens “God loves violence”. E porque é tão genial? Porque nós somos simples marionetas auto-destrutivas para o encanto de um deus que tudo nos dá para que isso aconteça. A raiva, a dor, o rancor, o medo, são tudo ingredientes da sua refeição preferida. E quando está aborrecido o que faz? Furacões, dilúvios, sismos, a pitada de sal no final da refeição para seu deleite.
Pontos negativos… Talvez a ênfase dada ao trabalho dos psiquiatras (e os psicólogos pah?) e também a banda sonora (parecia que se estava a dar inicio ao filme “The grudge” ou algo do género). Além disso fiquei desapontada com o final do filme (Oh snap!) pois é exactamente igual ao final do livro que ando a escrever há mais de um ano. Agora vou ter de me debruçar num final alternativo. Mesmo assim vejam, é delicioso.
O rancor é um ser inócuo mas que cega entre o sossego. É um aliado quando menos se precisa dele. Faz-se de melhor amigo, apenas quando se está só. É aquele que suspira baixinho e que te faz testemunhar um mundo cinzento e abandonado.
Para que te divertes a apoderar de pessoas como se de meros bonecos se tratassem? Sabes uma coisa? Não gosto de ti. Não, não gosto. Não és meu amigo, não me amparas a queda, nem és relevante para o meu ser. És um parasita, um inútil que devora bons e maus desígnios. Tudo.
Mas então porque é que te abríamos a porta quando tocas? Porque é que te damos a mão? Apenas porque estamos magoados ou indefesos? Eu não! Nunca mais!
Assim chego à conclusão que o único que não merece a mão és tu. Não, não me batas à porta. Ela está fechada. E nem te atrevas a dizer que és o único que me protege, porque só me isolas. Eu sei me defender. Eu consigo. E queres saber uma novidade? Todos temos a aptidão de mudar, menos tu.
Penso que seja fácil descobrir o que achei do filme. Juntem uma má disposição provocada por um roubo descarado por parte do nosso taxista e pelo péssimo estado meteorológico, com uma sala a abarrotar de crianças (tendo, a maior parte, idade insuficiente para frequentar o primeiro ciclo) aos saltos e aos berros, onde só se ouvia: “mãe, mãe! Consigo tocar no cabelo dela! Olha eu a tocar no cabelo dela, olha! OLHA! MÃE!!
A minha paciência estava ao rubro.
Por isso, mãezinhas do meu coração, quando virem um anuncio do Tim Burton para maiores de 12 anos (claramente não dobrado) será má ideia levar os vossos queridos, fofinhos e ranhosinhos filhos, sem qualquer tipo de educação ao cinema.
Quanto ao filme em si, não teve mal, mas não foi dos meus preferidos. Apesar da brilhantes prestação de todos os actores, não senti a essência de Tim Burton de todo.



